Oye Omi é uma pesquisa visual que utiliza inteligência artificial para fabular outras possibilidades de memória sobre o tráfico transatlântico de pessoas negras.
O projeto parte da travessia entre África e Brasil e imagina uma ruptura na narrativa histórica conhecida: os corpos lançados ao Atlântico não desaparecem. São recebidos por Iemanjá e por uma comunidade de milhares de afogados que já habitam aquelas águas.
A partir dessa fabulação, o oceano deixa de existir apenas como território de violência, morte e apagamento e passa a abrigar uma possibilidade de continuidade. Corpos, memórias e culturas interrompidas pela diáspora encontram no fundo do mar um outro espaço de existência, organização e transformação.
A pesquisa nasce também do encontro com Tiro de Misericórdia, de João Bosco e Aldir Blanc, e utiliza a inteligência artificial não para reconstruir um passado que não foi fotografado, mas para tensionar os limites do arquivo e perguntar que imagens poderiam existir se pessoas negras também pudessem fabular visualmente sua própria memória.
Criado em 2023, no início da minha pesquisa com imagens generativas, Oye Omi investiga a IA como ferramenta de construção de imaginário, deslocando seu uso da reprodução do que já conhecemos para a criação de imagens que a história não pôde registrar.
No mesmo ano, o trabalho foi apresentado no FotoRio, no Rio de Janeiro, dentro de um dos primeiros espaços expositivos do festival dedicados à criação de imagens com inteligência artificial.
Pesquisa, Direção Visual e Criação: Thiago Britto